A sociedade brasileira carrega uma marca autoritária : já foi uma sociedade escravocrata, além de ter uma larga tradição de relações políticas paternalistas,com longos períodos de governos não-democráticos. Até hoje é uma sociedade marcada por relações sociais hierarquizadas e por privilégios que reproduzem um altíssimo nível de desigualdade, injustiça e exclusão social. Na medida em que boa parte da população brasileira não tem acesso a condições de vida digna, encontra-se excluída da plena participação nas decisões que determinam os rumos da vida social ( suas regras, seus benefícios e suas prioridades ). É nesse sentido que se fala de ausência de cidadania, cidadania excludente ou regulada, caracterizando a discussão sobre a cidadania no Brasil.
Vivemos num mundo marcado por várias formas de violência e, devido à este fato, defini-la torna-se, hoje, uma tarefa complicada. Acompanhando o processo civilizatório, podemos observar muitos tipos e formas de violência, as quais serviram e servem de justificativa para a libertação ( ou dominação ) dos povos. Para a Organização Mundial de Saúde ( OMS ) a violência define-se como “...o uso intencional da força física ou do poder real ou em ameaça contra si próprio, contra outra pessoa, ou contra um grupo ou uma comunidade, que resulte ou tenha grande possibilidade de resultar em lesão, morte, dano psicológico, deficiência de desenvolvimento ou privação.” ( OMS, 2002 ). Portanto, no sentido descrito , violência é uma associação entre a intencionalidade do sujeito com a prática do ato propriamente dito, independente do resultado produzido. Para a OMS, a violência se converteu num dos principais problemas de saúde pública em todo o mundo.Os poucos projetos de prevenção existentes são limitados, ora pela escassez de recursos, ora pela resistência de autoridades e gestores públicos que não os consideram políticas públicas de segurança. Programas que combinam a prevenção à criminalidade, combate ostensivo às várias modalidades de crime e políticas de promoção da cidadania ( escolas de qualidade, atenção às famílias carentes e acesso aos serviços públicos ), têm se mostrado eficientes. Por fim, a união de diversos órgãos e esferas do governo, juntamente com a sociedade, empresas e universidades, políticas que aumentem a eficiência e o acesso à justiça e aos serviços públicos e a atenção especial ao sistema de justiça criminal são caminhos que devem ser seguidos para a construção de uma sociedade mais pacífica e democrática.
Tomando por base a Pedagogia do Oprimido, de Paulo Freire, vivemos em uma sociedade dividida em classes, onde os privilégios de uns impede o crescimento de outros. Visualiza-se dois tipos de pedagogia : dos opressores __ onde a educação existe como uma prática de dominação __ e do oprimido __ que precisa ser realizada para que surja uma educação com prática de liberdade; liberdade essa que deve surgir dos próprios oprimidos que necessitam ter consciência crítica da opressão e se disponham a transformar essa realidade __ trabalho de conscientização e politização. Coloca-se em cheque a Educação que tanto pode ter um papel “Bancário” como “Libertador”. Na educação bancária o educador é sempre o que sabe, enquanto os educandos serão os que não sabem, a rigidez destas posições nega a educação e o conhecimento como processo de busca, tornando o educando um objeto receptor pela sua passividade. A Educação Libertadora em contrapartida, mostra uma interação entre educando e educador onde o ensino e a aprendizagem partem de ambos os lados. O conhecimento não é transferido mas compartilhado.
Daí o grande desafio da Escola, a alfabetização como um processo conscientizador, capaz de libertar o oprimido mostrando-lhe meios de transformar a sua realidade social através da “conscientização”. O papel da Educação diante desta realidade é o de conscientizar criticamente o indivíduo de seu papel transformador da sociedade em que vive. Os Princípios Educativos representam um repertório de valores e experiências acumuladas, ampliando as diversas possibilidades de reflexão sobre o conhecimento culturalmente organizado, possibilitando interferir no ambiente sócio-político-econômico, no processo de humanização, na conscientização ambiental, na valorização dos direitos humanos, na inserção social, na mudança qualitativa do processo de formação do homem e da sociedade, etc. Os Parâmetros Curriculares Nacionais, ao propor uma educação comprometida com a cidadania, elegeram, baseados no texto constitucional, princípios segundo os quais orientar a educação escolar : Dignidade da pessoa humana, Igualdade de direitos, Participação, Co-responsabilidade pela vida social. Diante da sociedade atual, a Ética pode ser um Princípio norteador. É papel da escola a valorização da diversidade, percebendo-a como fator que possibilita e amplia a construção da identidade social dos sujeitos e dos grupos, num processo contínuo e dialógico. Essa diversidade não pode ser confundida com a desigualdade social, produzida na relação de dominação e exploração, que se alimenta da exclusão dos “diferentes”, impossibilitando-os ao acesso dos bens econômicos e culturais produzidos pela sociedade, bem como da participação na gestão dos espaços públicos ou privados. O trabalho educativo, singular, vivido em cada escola, pode tornar-se a base ética para a formação de seres humanos. Nessa perspectiva, a Educação em Direitos Humanos, campo teórico / prático recente em nosso país, “busca reafirmar o Estado de direito com a construção de uma cidadania ativa, com o reconhecimento e afirmação dos direitos humanos” ( CANDAU, 2003 )
Ao almejarmos a paz, é importante observar que a sua construção requer uma práxis desafiadora diante da realidade vivida, por meio de ações individuais e coletivas. A reflexão sobre as diversas faces da conduta humana deve fazer parte dos objetivos maiores da escola comprometida com a formação para a cidadania, e por este aspecto, o tema ÉTICA traz a proposta de que a escola realize um trabalho que possibilite o desenvolvimento da autonomia moral, condição para a reflexão ética, tendo como eixos de trabalho : RESPEITO MÚTUO, JUSTIÇA, DIÁLOGO e SOLIDARIEDADE, valores referenciados no princípio da dignidade do ser humano, um dos fundamentos da Constituição brasileira. Pensar sobre atitudes, normas e valores leva à questão do comportamento e, propor que a escola trate questões sociais na perspectiva da cidadania coloca em pauta a formação dos educadores e sua condição como cidadãos. Enfim, as pessoas não nascem boas ou ruins; é a sociedade, quer queira, quer não, que educa moralmente seus membros, embora a família, os meios de comunicação e o convívio com outras pessoas tenham influência, marcante no comportamento da criança, e, naturalmente, a escola também tem. Se o objetivo é que o respeito próprio seja conquistado pelo aluno, deve-se acolhê-lo num ambiente em que se sinta valorizado e respeitado. A escola pode ser esse lugar; melhor, deve sê-lo. A escola não muda a sociedade, mas pode, partilhando esse projeto com segmentos sociais que assumem os princípios democráticos, articulando-os a eles, constituir-se não apenas como espaço de reprodução mas também como espaço de transformação.Se entendemos indivíduo, que se dá na relação entre os indivíduos e entre estes e a natureza, a proposta educativa deve ter como eixo central a vida cotidiana vivenciando “uma pedagogia da indignação e não da resignação. Não queremos formar seres insensíveis e sim seres capazes de se indignar, de se escandalizar diante de toda forma de violência, de humilhação. A atividade educativa deve ser espaço onde expressamos e partilhamos esta indignação através de sentimentos de rebeldia pelo que está acontecendo.” ( CANDAU, 1995 )
Referências Bibliográficas :
__Robson Sávio Reis Souza, Filósofo. __ artigo publicado na REVISTA DEMOCRACIA VIVA,Nº33, out/dez 2006 ; também disponível em : http://www2.forumsegurança.org.br/node/21962
__Freire,Paulo. Pedagogia do Oprimido
__Jeane Silva em http://www.webartigos.com
__Parâmetros Curriculares Nacionais. Volume 8. Apresentação dos Temas Transversais e Ética.MEC/SEF
GRUPO PRÓ-ATIVOS
Alexandra Rosa Garcia Fernandes
Claudia de Azevedo Lima
Danielle Araujo Cortat
Joselita da Silva Estevez Pacheco
Márcia Vieira de Oliveira
Thalita Soares Cavalcanti
Este weblog tem como objetivo desenvolver o projeto do 1º sem de 2011. Os alunos do 2º período do curso de Pedagogia - AVM Faculdade Integrada - deverão articular os conhecimentos das disciplinas com o tema "Violência e Escola" e a leitura de "Pedagogia do Oprimido" de Paulo Freire. Este período é composto por 5 disciplinas: Educação e Meio Ambiente, Políticas Educacionais, Didática I, Promoção da Saúde e Qualidade de Vida e Legislação Educacional.
terça-feira, 5 de abril de 2011
segunda-feira, 4 de abril de 2011
PROPOSTA DE PROJETO EDUCACIONAL GRUPO "CONHECIMENTO"
Este Projeto Educacional tem como fito a implantação de uma possível Política Pública para diminuir a ocorrência do “Bullying” nas escolas brasileiras, corroborado pelos enunciados do texto "Pedagogia dos Oprimidos" do professor Paulo Freire.
O projeto teve como paradigma aquele que foi instituído como política pública durante os governos militares (Educação Moral e Cívica, Organização Social e Política do Brasil e Estudo de Problemas Brasileiros), guardados os devidos propósitos.
Deveras, o tema “Violência nas Escolas” é sempre associado a agressões físicas, vandalismo, gangues e tráfico: manifestações explícitas de comportamento agressivo. Porém, uma violência silenciosa, que deixa marcas na alma de nossos jovens não tem tido a devida atenção por parte da comunidade escolar, da sociedade como um todo, muito menos dos governantes: o fenômeno “Bullying”. Esse tema, de extrema atualidade, está na raiz das causas da violência e é tratado com a maior relevância em outros países.
Justamente pelo fato de o “Bullying” ser umas das formas de violência que mais cresce no mundo, mister se faz propor este Projeto Educacional de possível Política Pública, denominado: PREBULE (PROGRAMA DE REDUÇÃO DO “BULLYING” NAS ESCOLAS).
Um programa de caráter social e preventivo posto em prática em todos os Estados do Brasil, por ESTAGIÁRIOS DO CURSO DE PEDAGOGIA E PEDAGOGOS RECÉM-FORMADOS devidamente selecionados e capacitados. É desenvolvido uma vez por semana em sala de aula, durante cinco meses em média, anualmente, nas escolas de ensino público e privado para os alunos que estejam cursando do quarto ao nono ano do ensino fundamental.
O Programa almeja diagnosticar e implementar ações permanentes para a diminuição do comportamento agressivo entre os estudantes em todo Brasil, com o escopo de sensibilizar educadores, famílias e sociedade para a realidade do fenômeno e o seu corolário de conseqüências, procurando despertá-los acerca do direito que toda criança e adolescente tem de usufruir de uma escola segura e de auxílio mútuo, capaz de formar cidadãos conscientes do respeito à pessoa humana e à alteridade.
Por essa apresentação, percebe-se que muito se pode fazer para melhorar nossa Educação, basta ter responsabilidade e pujança política, e abeberando-se sempre no mestre Paulo Freire, que criticava a chamava de “educação bancária”, na qual um professor autoritário arrima as informações no aluno para depois ver o “saldo” na avaliação. Ele nos apresenta a possibilidade de que todos podem aprender, construindo juntos, o conhecimento. Aproxima professores e alunos e focaliza o processo educativo da troca, do processo dialógico, e não do antigo professor autoritário.
No texto integral poder-se-á concluir que a opressão poderá sobrevir em circunstâncias que vão além das exigências materiais, tanto é verdade que, os oprimidos também se apresentam como opressores em algumas situações.
A referida “violência na escola” pode ser depreendida como um esforço contrário a essa opressão. O aluno agride porque antes é vítima, quando não é acudido em um posto de saúde, ou não encontra na escola um ambiente hospitaleiro, ou porque acha visibilidade ao empunhar uma arma.
O trabalho completo encontra-se disponível em: Biblioteca > Ambiente de Grupo > Área de Publicação – Web Ensino. Vale a pena conferir!
COMPONENTES DO GRUPO "CONHECIMENTO"
BIANCA DE BRITO ORMOND
CLAUDIANE FERREIRA GOMES
FERNANDA SOARES NOTAROBERTO
LUIZ ANTONIO COSTA TARCITANO
MÔNICA VERAS DE SOUSA
segunda-feira, 21 de março de 2011
POLÍTICAS EDUCACIONAIS

No período dos governos militares foi instituído como política pública de educação disciplinas de Organização Social e Políticas do Brasil (OSPB) e Estudos de Problemas Brasileiros. A primeira era para o Ensino Básico, enquanto a segunda para o Superior como propósito da formação ética e moral da sociedade brasileira.
Em vários outros momentos de nossa história os governos adotaram políticas semelhantes, buscando disciplinar, combater a violência e até “domesticar”, pelo ensino religioso, boa parte da população.
Do exposto e baseado no livro Pedagogia do Oprimido de Paulo Freire, desenvolva a proposta de um projeto educacional de possível política pública para diminuir a violência em nossas escolas.
Disponibilize no blog um texto com introdução, desenvolvimento e conclusão ou grave um vídeo explanando o projeto.
quarta-feira, 2 de março de 2011
terça-feira, 1 de março de 2011
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